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14 de fev de 2009

Prêt-à-porter...

Ready to wear, pronto para vestir, como preferir. Consiste basicamente na roupa vendida nas lojas, 'pronta para ser levada pra casa, surgiu no fim da segunda guerra mundial para libertar as confecções de sua “má imagem”, associada ao dia-a-dia e não ao prestigiado traje de gala.
No fim da guerra, muitas maisons parisienses encontravam-se em crise. A européia não tinha dinheiro para encomendar vestidos maravilhosos, que às vezes precisavam de 5 ou 6 provas.
O ready to wear surgiu então como uma alternativa a essa crise.
Em 1967, Yves Saint Laurent decretou o fim da Couture, já não fazia mais sentido recorrer a Alta Costura, apesar dos privilégios de peças exclusivas e feitas sob medida, toda a comodidade de uma roupa prêt-à-porter fez com que a busca pelo couture tivesse fim.


- Traje de Alta Costura em desfile da maison Dior, por John Galliano-

...> Ao vir ao mundo na moda e conquistar domínios citadinos, o prêt-à-porter abalou a arquitetura da soberana “moda de cem anos” e transformou a lógica da produção industrial de moda. Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), um novo estado de demanda de mercado se ampliou a todos os estratos da sociedade e conduziria à “[...] democratização última dos gostos da moda trazida pelos ideais individualistas, pela multiplicação das revistas femininas e pelo cinema, mas também pela vontade de viver no presente estimulada pela nova cultura hedonista de massa [...] cultura do bem-estar, do lazer e da felicidade imediata. A era do prêt-à-porter coincide com a emergência de uma sociedade cada vez mais voltada para o presente euforizada pelo novo e pelo consumo”, nas palavras de Gilles Lipovetsky.


- Look prêt-à-porter em desfile da Chanel, por Karl Lagerfeld-

Apesar de produzir peças industriais em série “para todos”, o prêt-à-porter quis adicionar um quê de moda a estes produtos, quis unir a indústria à moda, acrescentando estilo às ruas, um plus criativo às peças básicas. As galerias Lafayette, o Printemps e o Prisunic foram experimentos iniciais nesse sentido, com grandes magazines nos anos de 1950. Para tanto, o prêt-à-porter se associou a estilistas para, enfim, agregar valor estético aos produtos, compondo as diretrizes dos escritórios de consultoria de estilo. Com o estilismo, o vestuário industrial de massa muda de estatuto, tornando-se definitivamente um produto da moda. Mais do que apenas uma mutação estética, o prêt-à-porter propiciou uma mutação simbólica.

Paralelamente à “estetização da moda industrial”, o prêt-à-porter hasteou um símbolo de alta classe: a griffe. A partir disso, as marcas industriais se iniciaram no universo da publicidade. Marcas que deveriam ser intrinsecamente articuladas à assinatura de um estilista ilustre para atrair os investimentos publicitários, arrogando um timbre personalizado aos milhares de peças idênticas produzidas nas usinas, um timbre que as faria desejadas. Assim, “imprimia-se alma à indústria”.

Com o arremate da “moda de cem anos” (1960-1970), um novo período teve sua estréia: a moda aberta, finalmente democratizada às massas. Consolidou-se a fase sistematizada com os novos focos de mercado e novos critérios criativos e uma produção maquinada por criadores profissionais, uma lógica industrial serial, coleções sazonais, desfiles de manequins com fins publicitários.

[http://www.fashionbubbles.com/2008/a-importancia-historico-sociologica-do-pret-a-porter/]

xoxo;*

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